sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

DIÁLOGO DE SURDOS*

Joilson Gouveia*

Muitos observam que estamos numa época de incompreensão, pois pessoas que aceitam posições distintas não conseguem mais compreender-se mutuamente. E por que? – perguntam. Às vezes as ideias são as mesmas, se bem examinadas. Por que razão não se entendem? Por que se dá tanta incompreensão no mundo? Será tão difícil observar e entender um tema, de modo que não há mais ninguém que possa manter relações intelectuais com os que defendem ideias diferentes? Ora, realmente tais fatos se dão. E dão-se porque as ideias não estão clareadas. Os termos referem-se a conteúdos noemáticos (semânticos) distintos. O que um quer dizer com o termo a não é o mesmo que o outro quer dizer. As intencionalidades são diversas, os conteúdos são vários. E quando tal se dá (e já Lao Tsé anotava essa calamidade) ninguém mais se entende, porque não há mais firmeza nos conteúdos noemáticos dos termos. O que foi um ideal (e ideal justo e bem fundado) dos antigos passou a ser desprezado pelos modernos, amantes das novidades inconsequentes e dos conteúdos vários, do tipo dos hipoliteratos (que abundam hoje mais do que nunca), que se julgam no direito de dar aos termos verbais os conteúdos que bem entendem. Então o diálogo entre pessoas de posições distintas é um verdadeiro diálogo de surdos. São na verdade cegos que buscam entender as cores, para as quais não possuem imagens com as quais possam representa-las.
E o pior não é isso! Há os satânicos que tudo fazem para que seja assim. Há intelectuais comprometidos com essa manobra, que buscam aumentar ainda mais a confusão. Tudo isso faz parte de um plano secreto, cujo intuito fundamental é criar um estado de confusões, de trevas, para nelas abismarem os inadvertidos, de modo que a juventude confusa, por entre ideias confusas, se transforme em massa de manobras dos interessados em subverter a nossa cultura e instaurar a época do novo escravagismo, do homem-número, do homem-máquina, do homem-instrumento, do homem-troço, do home automatizado, do home cibernético, do homem que renuncia a sua inteligência e a sua criação para tornar-se uma coisa entre coisas, uma peça no jogo trágico ao sabor dos interesses dos novos cesariocratas que pretendem dominar o mundo. * Texto de Mário Ferreira dos Santos, 1907-1968. “A Invasão Vertical dos Bárbaros” p.123/124. Apresentação Luiz Felipe Pondé – São Paulo: É realizações, 2012. – (Coleção abertura cultural)
Interpretado o proêmio suso transcrito pode-se perceber, entender e compreender à nossa atual conjuntura nacional, nos campos político-social-psicossocial-econômico-militar-administrativo-jurídico-institucional-estrutural-e-organizacional de nossa combalida, espoliada, achacada, aviltada, desviada e doada república tupiniquim, desde a debacle redemocratização, mormente quando o STF acena pela indenização de presos maltratados, em presídios e penitenciárias superlotadas, enquanto às famílias e às vítimas desses coitadinhos sentenciados nada vezes nada! É lastimável, deplorável, degradante e inimaginável ainda que a “Justiça seja cega”; ou não?
·         Ademais, assim como fizeram com as tais “vítimas da ditadura”, que auferiram polpudas “indenizações”, sugerem o mesmo às “vítimas” da peleja fraticida manauara e na “roraiamada”, como dissera aquela “muié sapiens”; lembram? Seria até um tratamento equânime ao dado aos “torturados”; convenhamos! Ou não? O Estado sempre indenizando “dignos cidadãos e cidadãs de bem”! Pasmem! O Erário, como sói acontecido, é sempre o alvo deLLes!
Concito o leitor a visitar nosso Blog e ler aos seguintes textos, a saber:
Enfim, com efeito, pode-se inferir de que “o crime não vencerá a justiça” – belíssima frase de efeito -, mas os seus criminosos estão vencendo, sobretudo estão atestando, provando e comprovando que o crime compensa: http://gouveiacel.blogspot.com.br/2014/12/crime-compensa-e-recompensa-ha-mais-de.html
Urge endireitar nossa Pátria Amada, Brasil! E já!
Tenho dito, repetido e reiterado!
Abr
*JG

2 comentários:

  1. A EXISTÊNCIA NÃO CONHECE A LINGUAGEM DE PALAVRAS. A VERDADE NÃO PODE SER EXPRIMIDA EM PALAVRAS, POR ISSO, NO MOMENTO EM QUE VOCÊ TENTA PROFERÍ-LA, VOCÊ A FALSIFICA. AS PALAVRAS SÃO CRIAÇÕES HUMANAS, LOGO, SÃO CRIAÇÕES DO EGO. TEMOS VISTO ESSE ENDEUSAMENTO DA PALAVRA ATRAVÉS DAS IDADES, OS FILÓSOFOS MAIS PROFUNDOS, OS MAIS ERUDITOS E PENETRANTES LÓGICOS E SEMÂNTICOS COMETEREM CONSTANTEMENTE O ERRO DE IDENTIFICAREM COM OS FATOS SUAS CONSTRUÇÕES PURAMENTE VERBAIS, OU NO ERRO MAIS ATROZ AINDA, DE IMAGINAREM OS SÍMBOLOS MAIS REAIS DO QUE AS COISAS QUE REPRESENTAM. ATÉ DE MODO ESTRANHO, IDOLÁTRICO E INSANO EXAGERAMOS O VALOR DAS PALAVRAS E DOS EMBLEMAS. A LÓGICA E A SEMÂNTICA, A LINGUÍSTICA E METALINGUÍSTICA SÃO PURAS DISCIPLINAS INTELECTUAIS. ANALISAM AS VÁRIAS MANEIRAS, CORRETAS E INCORRETAS, SIGNIFICATIVAS E NÃO SIGNIFICATIVAS, EM QUE AS PALAVRAS PODEM SER RELACIONADAS COM COISAS, PROCESSOS E FATOS. MAS NENHUMA ORIENTAÇÃO OFERECEM EM REFERÊNCIA AO PROBLEMA MAIS FUNDAMENTAL DAS RELAÇÕES DO HOMEM NA SUA TOTALIDADE PSICOFÍSICA, DE UM LADO, E COM SEUS DOIS MUNDOS, O DOS FATOS E O DOS SÍMBOLOS, DE OUTRO LADO. A CRENÇA NA PERFEITA EFICÁCIA E NO VALOR SUPERLATIVO DE QUALQUER SISTEMA DE SÍMBOLOS NÃO LEVA À LIBERTAÇÃO, E SIM A REPETIÇÃO DA HISTÓRIA, AOS MESMOS DESASTRES PASSADOS QUE CONTINUAMOS A ASSISTIR. SÓ O PERCEBIMENTO SEM ESCOLHA PODE LEVAR A NÃO-DUALIDADE, A CONCILIAÇÃO DOS OPOSTOS. O SABER É UM CONJUNTO DE SÍMBOLOS E, NA MAIOR PARTE DAS VEZES, UM OBSTÁCULO À SABEDORIA DE MOMENTO EM MOMENTO.

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    1. Seja bem-vindo, grato por postares seus comentários, mas, ainda assim, creio que para seres ouvido (ouseja, lido e compreendido) não preciss gritares (escrever ou digitar em CAIXA-ALTA), basta que escrevas normalmente, sim!?
      Abr
      *JG

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