terça-feira, 15 de novembro de 2016

HÁ RISOS E SORRISOS NEM SEMPRE HILÁRIOS

Joilson Gouveia*

Assim como há o aforismo popular que diz “quem canta os males espanta”, há quem diga que “sorrir é um santo remédio” – que o riso cura todos os males diversos – “sorrir faz bem, é saudável e salutar” e etc. Pode ser!
Aliás, o Dr. Sorriso, um grupo de psicólogos, atores e atrizes vestidos de palhaço, que ajuda aos enfermos hospitalizados, no Hospital das Clínicas, se não me falha a memória, tem se esmerado na cura de pacientes, mas, ainda assim, o melhor sorriso é o que expressa a felicidade de rir-se de si mesmo e consigo mesmo; nunca de outrem ou do outro, do semelhante e do próximo.
O melhor mesmo, se não és capaz de rir-se de si mesmo, é RIR com alguém e nunca de alguém, sob pena de tornar-se escárnio ou entristecer alguém de quem se ri. É que nem todo riso é de alegria, de contentamento, de prazer, cômico, engraçado e hilário ou salutar e saudável: uns apenas mostram os dentes! Outros usam-no como ironia. Outros como desdém ou desprezo ao semelhante. Já outros riem, no mais da vez, para não chorar suas mágoas, dores, tristezas, traumas, frustrações, decepções...
O melhor, o maior e mais belo sorriso é-o dos olhos que sorriem juntos com os lábios, boca e dentes! Os olhos sorrindo refletem o sorriso da própria alma do Ser! O melhor sorriso, pois, é-o de contentamento, alegria e prazer com o outro, num encontro ou reencontro prazeroso que faz bem aos que se abraçam num sorriso comum, livre, espontâneo, voluntário, sincero e franco, mútuo e recíproco, cúmplices do mesmo sentimento, sentido e sentir de ambos.
Ainda jovem imberbe e adolescente, li e guardei: “sorria! Pois mais triste que um sorriso triste é a tristeza de não saber sorrir” – ou “sorria, mesmo que seja um sorriso triste, porque mais triste que um sorriso triste, é a tristeza de não saber sorrir” – de Polyanna menina, moça e mulher! No entanto, o mais puro é-o sorriso simples, de inocência de uma criança contente, desvestida de astúcias, malícias e maldades ou despojada do mau-caratismo dos adultos.
Ah! Como esquecer dos velhos e bons tempos dos “fardados”, e dos velhos carnavais, quando Zé Keti cantava: “tanto riso, oh quanta alegria! Mais de mil palhaços no salão, Arlequim está chorando pelo amor de Colombina, no meio da multidão” – árduos, sofridos e sofríveis tempos, tempos terríveis, não?
Rir é muito bom, é bom demais! “O brasileiro é o único povo que ri da própria desgraça, teria dito o maior dos humoristas brasileiros: Chico Anísio.
No entanto, não devemos jamais “rir-se” da honra, das verdades e coisas boas, como nos advertira e prenunciara Rui Barbosa “o homem chega a desanimar da virtude, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto...”
Bem por isso, trago à baila: “Acho o brasileiro um sujeito formidável, é o sujeito que faz piada. Nenhum povo faz piada, só o Brasil! Acontece qualquer coisa, seja uma catástrofe, seja uma chanchada, o brasileiro inventa uma piada na hora”, assestado por Nelson Rodrigues, que averbou o seguinte: “Eu amo a juventude como tal. O que abomino é o jovem idiota, o jovem inepto, que escreve nas paredes ‘é proibido proibir’ e carrega cartazes de Lenin, Mao, Che Guevara e Fidel, autores das proibições mais brutais”.
No entanto, o humor, o rir e o riso não podem nem devem ser sinais de imbecilidade, de tolice, de idiotia ou de ignorância, como bem nos advertira o próprio Nelson: “Não há ninguém mais bobo do que um esquerdista sincero. Ele não sabe nada. Apenas aceita o que meia dúzia de imbecis lhe dão para dizer”, daí tantos inocentes úteis na linha-de-frente, em protestos que reúnem umas dezenas ou duas ou três dúzias de secundaristas e universitários a esbulhar aos direitos dos outros, mormente aos direitos de ir (estar, ficar) e vir dos demais cidadãos, sobretudo dos que não comungam com suas ideologias, ideias e ideais sinistroPATAS.
Enfim, o brasileiro é o típico gozador que faz piadas com tudo e com todos, é o gozador nato que goza e adora gozar da cara dos outros, mas detesta ser gozado, pois repele, rechaça e detesta ser gozado ou servir de gozação, muito menos ainda ser contestado, repelido, rechaçado e objurgado.
Abr
*JG
P.S.: quantos perderam seus voos e compromissos por conta desses idiotas que sequer sabem dos cortes de mais de 10,2 bilhões feito por eLLa, na “pátria educadora” e que essa “PEC da morte” é de sua lavra. É típico!
N.R.: Atualizado, revisado e reeditado.

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